Condomínios antigos enfrentam desafios para a acessibilidade.

Condomínios antigos enfrentam desafios para a acessibilidade.

Nesta segunda (21) foi celebrado o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. A data foi instituída em 2005. Nestes 15 anos, a legislação tem passado por diversas mudanças em prol da acessibilidade. No caso dos condomínios, há normas que regulamentam isso, mas prédios antigos ainda enfrentam desafios.

O designer gráfico William Amaro Oliveira, 46, utiliza a cadeira de rodas há três anos e meio. Quando comprou o apartamento em Diadema (Grande SP), há cinco, não pediu que viesse adaptado. Ele pretende esperar a pandemia passar para começar o processo, com avaliação de engenheiro.

Oliveira conta que o prédio é novo e já veio com acessibilidade pronta, mas ainda há questões. Das três torres, apenas uma tem banheiro acessível no térreo. Salão de festas não tem rampa e falta vagas de garagem para atender pessoas com deficiência (PCD) e pessoas com necessidades especiais (PNE).

Outra demanda é a demarcação da rampa para deficiente na calçada, o que tem sido pedido na prefeitura.

“Muitas vezes cheguei e tinha carro estacionado na frente da guia rebaixada. Tive que dar volta a entrar pela garagem”, diz.

Segundo Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP, a principal lei que norteia o assunto é o Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015. Ele diz que a aplicação do desenho universal é a ideia que um local seja acessível para todos.

“O grande entrave [dos prédios antigos] é a questão estrutural e financeira”, afirma Thiago Badaró, professor na Escola Superior de Advocacia. Segundo ele, as assessorias jurídicas têm sido procuradas para avaliar as leis que regem o condomínio neste contexto e as técnicas avaliam a estrutura para saber quais as condições de acessibilidade.

Vanilda de Carvalho, 49, é síndica profissional de dois prédios na Consolação (centro). Ela busca implantar as adaptações para acessibilidade como medida preventiva.

“Acessibilidade é para todos. A gente pensa na pessoa com deficiência, mas qualquer um pode precisar.”

No residencial, com 52 unidades, Vanilda conta que não houve verificação pela prefeitura desde que o projeto foi protocolado há mais de um ano.

 

Acessibilidade nos condomínios:

 

O que é?

-> Um prédio com acessibilidade permite que todas as pessoas possam igualmente acessar as áreas comuns e de lazer (nos condomínios residenciais) e também as áreas de funcionários e serviço (nos comerciais).

-> Ter acessibilidade é obrigatório desde 2008 em todos os prédios do Brasil, comerciais ou residenciais.

 

O que diz a lei?

Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146/2015):

-> Visa assegurar e promover condições de igualdade para pessoas com deficiência, por meio de inclusão social e prática da cidadania.

-> De maneira geral, estabelece diretrizes para aplicação do desenho universal (espaço que pode ser utilizado por todas as pessoas, independente de suas condições).

 

Unidades novas

-> O cliente pode solicitar acessibilidade na unidade antes de a obra começar.

-> O decreto estabelece que todas as unidades sejam adaptáveis.

-> Assim, mesmo que a pessoa não precise de um imóvel adaptado no momento da compra, a estrutura permitirá que alterações sejam feitas no futuro.

 

Prédios antigos

-> Um engenheiro ou arquiteto deve ser contratado para apontar o que precisa ser feito de acessibilidade no prédio.

-> Síndico deve levar a proposta para ser aprovada em assembleia por maioria simples.

-> Após aprovado, o projeto deve ser enviado à prefeitura.

-> As obras começam após o município aprovar.

-> Caso o prédio possa ser adaptado, mas a gestão recuse, o morador pode entrar com ação na Justiça.

 

O que é obrigatório

Calçada e entrada: 

-> Guia rebaixada.

-> Piso tátil.

-> Acesso da calçada ao interior do prédio pela porta principal.

-> Acesso interligado e sem barreiras a todos os ambientes de lazer a áreas de uso comum, incluindo piscina.

 

Portaria:

-> Balcão para atendimento.

-> Interfone em altura acessível.

 

Banheiros:

-> Adaptados nas áreas de uso comum.

 

Sinalização:

-> Visual e tátil nas áreas comuns.

-> Sinalização em braile nas pontas dos corrimãos.

 

Elevadores:

-> Pelo menos um dos elevadores atendendo a todos os critérios de acessibilidade.

-> Botões dos elevadores em braile.

 

Garagem:

-> Ao menos 2% de vagas de garagem destinadas a pessoas com deficiência e mais 5% demarcadas para idosos.

 

 

 

 

Fonte: https://bit.ly/2ZZj33u

 

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